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Acompanhado pelo coro dos anjos, Offspring faz show memorável em Porto Alegre


No último mês de outubro, logo após o lançamento do mais recente single, “Come to Brazil”, os californianos do Offspring anunciaram que não apenas viriam ao país, mas o fariam em grande estilo: trazendo consigo grandes nomes como Sublime, The Damned e Rise Against, além das revelações Amyl and the Sniffers e The Warning. Enquanto São Paulo e Curitiba foram beneficiados com line-ups completos, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre tiveram menos atrações convidadas. Naquele que foi o último show da turnê, os porto-alegrenses puderam conferir a apresentação das excelentes musicistas do The Warning.

Aquecimento nas pick-ups Mais cedo do que o horário previsto – já que a grade de horários foi alterada na véspera do evento –, o DJ e conhecido produtor gaúcho Ricardo Finocchiaro deu início à noite com um set bem escolhido. Um repertório que misturou com equilíbrio e bom gosto clássicos dos anos 90 e 2000, a performance de aproximadamente uma hora serviu para ditar o clima da noite, agradando um público heterogêneo que começava a lotar o Pepsi On Stage. Houve interação, distribuição de camisetas e uma boa resposta daqueles que chegaram cedo e ocuparam a frente do palco, especialmente em “Last Resort” e “Eu Quero Ver o Oco”. The Warning  A exemplo do que aconteceu em Belo Horizonte, o Offspring trouxe consigo apenas uma atração do festival Punk Is Coming!: o trio mexicano The Warning. Formado pelas irmãs Daniela (guitarra, vocal principal), Paulina (bateria, vocal, piano) e Alejandra Villarreal (baixo, piano, backing vocals), a banda é considerada uma das grandes revelações da música pesada na década passada. O motivo de tanta reverência ficou claro no palco: excelência técnica, apelo melódico, criatividade e energia são apenas alguns dos termos que podemos usar para tentar – sem sucesso – transcrever o que foi a apresentação brutal do grupo.

Foto por Andiesca Souza para o To na Grade
Foto por Andiesca Souza para o To na Grade

Apresentando predominantemente canções de seu mais recente álbum, Keep Me Fed (2024), o set foi muito bem recebido pelo público, especialmente pelos fãs que pudemos identificar através de camisetas em meio à massa de pessoas que compareceram interessadas na atração de fundo. Entre o material do novo trabalho, destaque para “S!CK”, que abriu a apresentação, “Que Más Quieres”, cantada no idioma nativo das integrantes, e “Automatic Sun”.

Foto por Andiesca Souza para o To na Grade
Foto por Andiesca Souza para o To na Grade

Também houve espaço no repertório para material mais antigo, que apareceu de igual para igual, como as ótimas “DISCIPLE” e “EVOLVE”, que fecharam a estreia do The Warning em Porto Alegre. Demonstrando consistência quando o assunto é composição e competência da banda quando falamos de execução ao vivo, o trio fez em 45 minutos um show incrível, que surpreendeu positivamente quem chegou antes do pontapé inicial da atração principal.

Falamos de uma banda que merece toda a atenção de quem gosta de música.


Foto por Andiesca Souza para o To na Grade
Foto por Andiesca Souza para o To na Grade

The Offspring O relógio marcava 21h15 quando os enormes telões laterais começaram a exibir uma animação temática acompanhada de uma contagem regressiva de cinco minutos. Ao som de “Thunderstruck”, do AC/DC, o aviso de que o início estava próximo gerou ainda mais expectativa.

Foto por Andiesca Souza para o To na Grade
Foto por Andiesca Souza para o To na Grade

Ao contrário do que é habitual, ao fim da contagem, as luzes se apagaram para receber a atração principal. Ainda na penumbra, Brandon Pretzborn (bateria), Todd Morse (baixo e vocal de apoio), Kevin “Noodles” Wasserman (guitarra), Jonah Nimoy (guitarra) e Dexter Holland (vocal e guitarra) tomaram suas posições para uma abertura de forte impacto: “All I Want”, clássico do quarto álbum da banda, Ixnay on the Hombre, levantou as mais de quatro mil pessoas que se aglomeravam no Pepsi On Stage. Em seguida, um sucesso ainda maior: “Come Out and Play” foi cantada a plenos pulmões não apenas pelo público presente, mas também pelo amigo de longa data Jason “Blackball” McLean, que tem acompanhado a banda na atual turnê. Duas músicas, cinco minutos. Foi o que bastou para que o Offspring deixasse claro a que veio. Se alguém ainda tinha dúvidas de que aquela seria uma noite para ficar na memória dos fãs, elas foram rapidamente erradicadas.

Foto por Andiesca Souza para o To na Grade
Foto por Andiesca Souza para o To na Grade

Se os — reforcem-se as aspas — “novatos” Nimoy e Pretzborn estão na casa dos 30 (nasceram, respectivamente, em 1992 e 1994), passou despercebido o fato de que os integrantes da formação original têm basicamente três décadas a mais. A disposição e a entrega de Holland, Noodles e Morse não deixaram nada a desejar. Outro aspecto interessante, que o show do The Warning já havia trazido, foi o uso de telões — algo não muito comum no Pepsi On Stage, uma casa de médio porte em Porto Alegre. Já o tradicional som prejudicado, esse esteve lá o tempo inteiro.


Foto por Andiesca Souza para o To na Grade
Foto por Andiesca Souza para o To na Grade

Repertório certeiro Além da presença da banda, que retornou a Porto Alegre após 17 anos, outra grande – talvez a maior – estrela da noite foi a escolha do repertório. A exemplo do que vinha acontecendo, a apresentação foi curta, porém recheada de hits. Ao longo de 80 minutos, a banda privilegiou os clássicos Smash, álbum que catapultou o Offspring ao sucesso em 1994 e que, até hoje, é o disco lançado por uma gravadora independente – a Epitaph Records – mais vendido de todos os tempos, e Americana, seu maior sucesso comercial já por uma major.

As surpresas ficaram por conta de “Mota” e “Gotta Get Away”, e as ausências mais sentidas foram “Gone Away” e “Genocide”. Clássicos como “Hit That” e “Original Prankster” também figuraram entre os pontos altos.


Foto por Andiesca Souza para o To na Grade
Foto por Andiesca Souza para o To na Grade

Carisma e Interação O guitarrista Noodles assumiu muitas vezes o protagonismo nesses momentos, seja bradando “fuck yeah” de diferentes formas e incitando a resposta da plateia – lembrando um hábito de Freddie Mercury ao vivo –, seja sendo bastante espirituoso ao errar o tempo que o Offspring levou para retornar à capital gaúcha. Já durante a execução de “Bad Habit”, que teve sua clássica parada estendida para um momento de afeto com o público local, o sorridente Noodles mandou: “E aí, Porto Alegre??? You are beautiful!!!!”.


Foto por Andiesca Souza para o To na Grade
Foto por Andiesca Souza para o To na Grade

Outros dois momentos interessantes entre uma canção e outra foram as execuções de riffs clássicos do rock – “Seven Nation Army”, dos White Stripes; “Smoke on the Water”, do Deep Purple; “Iron Man”, do Black Sabbath; “Back in Black”, do AC/DC; e “In the Hall of the Mountain King”, amplamente utilizada ao vivo pelo Helloween como introdução de “Future World” – antes do único cover da noite, “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones, e, outra longa interação, falando sobre a vontade da banda de retornar ao Brasil: “Levamos quanto tempo para voltar aqui? Oito anos? Mais? Ok, 17 anos!!! É que tínhamos um management ruim antes, agora temos um management bom, não vamos levar tanto tempo!”, mandou Noodles, arrancando risos. Já o vocalista Dexter Holland se mostrou disposto a esticar a passagem: “A gente pode tocar amanhã de novo aqui? Vocês vem?” A resposta, logicamente, foi um sonoro “Yeah!”, tão sonoro quanto o coro que acompanhava a banda nos principais sucessos e que não passou despercebido pela banda: “O que é isso? É um coral! Um coral de anjos!”, exclamou Noodles. “Mas eles também tem um lado sujo!”. “São safados”, completou Holland, antes dos primeiros acordes de “Bad Habit”, outro ponto alto da apresentação. Com toques de carisma e entrega total, ganharam o público que já estava ganho desde que os ingressos se esgotaram.

Registos em áudio e vídeo  De forma idêntica ao que ocorreu nas demais apresentações no Brasil, o show foi registrado por diversas câmeras espalhadas pelo palco e entre os fãs. Parte da qualidade do material pôde ser apreciada nos telões, mas muita coisa ainda veremos adiante. No inicio da tour, em Belo Horizonte, a banda anunciou que estava gravando um clipe para “Come To Brazil” – uma das músicas que teve menor resposta no show de Porto Alegre, mas que não deixou de ter seu charme pela clara declaração de amor à nossa terra. Será que Porto Alegre vai aparecer nesse material? O tempo dirá.


Foto por Andiesca Souza para o To na Grade
Foto por Andiesca Souza para o To na Grade

Encerramento com chave de ouro Um clichê das grandes turnês é, quase invariavelmente, guardar o melhor para o final. Com o Offspring não foi diferente. Após “Bad Habit”, a etapa complementar trouxe uma quadra matadora: “Why Don't You Get a Job?”, “(Can’t Get My) Head Around You”, “Pretty Fly (for a White Guy)” e “The Kids Aren’t Alright”. Não menos previsível foi o falso encerramento para um rápido retorno ao palco – o que a banda fez em apenas um minuto. Para o bis, a repetição que vinha acontecendo na turnê brasileira: a dobradinha “You’re Gonna Go Far, Kid” e a derradeira “Self Esteem”, que encerrou a curta, porém muito boa, apresentação do Offspring em Porto Alegre.


Foto por Andiesca Souza para o To na Grade
Foto por Andiesca Souza para o To na Grade

Se a performance do The Warning foi marcada pelo primor e pela novidade para a maioria do público, o show do Offspring trouxe uma junção de dois mundos que, para muitos, são antagônicos,  porém que se mostraram um casamento feliz e duradouro em seus mais de quarenta anos de carreira. De um lado, o punk, sujo, imperfeito e, acima de tudo, real. Do outro, o sucesso comercial, que fez com que o Offspring, diferente de muitos de seus contemporâneos, se tornasse uma banda de arena – para quem o público de cinco mil pessoas que compareceu ao Pepsi On Stage na última terça-feira pode, tranquilamente, ser considerado pequeno. Numa época em que a memória afetiva dita as reuniões que se tornam lucrativas turnês mundiais, a capital gaúcha – assim como outras cidades brasileiras – foi agraciada com uma entrega sem limites de uma banda que se manteve, ao longo do tempo, ativa e criativa.

Valeu a pena esperar. Setlist Offspring All I Want

Come Out and Play

Want You Bad

Staring at the Sun

Come to Brazil

Mota

Hit That

Original Prankster

Make It All Right

Blitzkrieg Bop

Bad Habit

Gotta Get Away

Why Don't You Get a Job?

(Can't Get My) Head Around You

Pretty Fly (for a White Guy)

The Kids Aren't Alright

Bis:

You're Gonna Go Far, Kid

Self Esteem


Setlist The Warning


S!CK

Z

Qué Más Quieres

Satisfied

MORE

Consume

MONEY

Sharks

DISCIPLE

Hell You Call a Dream

Narcisista

Automatic Sun

EVOLVE  Texto por: Marcel Bittencourt Foto por: Andiesca Souza

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